Desculpas!?…

Desculpas!?…

Pedido de desculpas

Desculpas, é uma palavra que raramente ouço, quando digo por vezes as pessoas me olham como se eu fosse um extraterrestre. Certa vez alguém me respondeu:

— “ Aos amigos não se pede desculpas.”

Confesso que fiquei um pouco assustada com a frase, pois aprendi desde muito cedo que quando magoo alguém sem a intenção devo me desculpar… Isso mesmo, desculpar. E quando peço desculpas, peço de coração, não me sinto humilhada por dizer:

— “Desculpa-me!”

Não aprendi este gesto como ato humilhação e sim um ato de humildade, uma forma de reconhecer que errei, mas que estarei atenta para que o gesto não se repita.

Por vezes, sinto que muito dos problemas emocionais que existem nascem com a mágoa, e que poderiam ser evitados com uma simples frase: — “desculpa-me”.

Acredito que o Ser humano deve reconhecer quando as coisas não correm como desejam, ou quando as suas ações acabam por desencadear uma reação indesejada, assim, sem intenção acaba por ferir ou desapontar um outro. Acredito que pedir desculpas a partir do coração, mostra de forma genuína um arrependimento de não estar melhor preparado, de não poder fazer melhor no momento, ou de simplesmente reconhecer que os seres humanos possuem necessidades diferentes.

Entretanto, compreendo que seja difícil, para alguém que não tem intimidade com a palavra “desculpas” utiliza-la sem sentir-se humilhado.

A maioria dos casos que conheço, das histórias que ouço em contexto terapêutico e olha que não são poucas, há dias em que ouço 5, 6 pessoas com histórias semelhantes… por vezes tenho a impressão de que é um Déjà-vu… todas quando fere, tem a certeza de que foi sem intenção de magoar, não pede desculpas porque foi ao acaso.
Mas, quando é ferida possui também a certeza, mas dessa vez de que foi intencional magoada, e fica magoada, e inconscientemente à espera de uma reparação.

Peço sempre desculpas, quando as pessoas ficam confusas ou desorientadas com algo que digo. Peço desculpas, quando aquilo que escrevo causa um efeito oposto, assim como peço desculpas a quem discorda do que aqui está escrito, afinal, estou apenas descrevendo experiências pelas quais passo diariamente desde o ano de 2004.

Cada um pensa o que deseja, sei que não sou a sabichona, não estou me deslumbrando, mas penso que é hora de refletir e iniciar um processo de colocar-se no lugar do outro, é o momento de compreender que os seres humanos reagem e lutam de forma diferenciada, este é momento de começar a ver porque o outro lhe magoa tanto, porque esta sua ferida dói tanto?

Já pensou nas vezes que sentiu o outro magoado consigo? Qual a ferida dele que colocaste o dedo? Já pensou que as suas mágoas do outro é porque ele também colocou o dedo em suas feridas?

Sim, feridas! E elas devem serem limpas e curadas. Pense nisso!

 

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

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